Polícia

Corregedoria instaura procedimento e PMs envolvidos em abordagem que terminou com morte são realocados

Agora News MS

10:40 30/11/2025

Abordagem policial foi registrada por câmeras de segurança no último dia 21 no bairro Tarsila do Amaral

Lívia Bezerra-01/12/2025 – 09:11Ouvir Notícia

(Reprodução)

Os policiais militares envolvidos na abordagem que terminou com a morte de Rafael da Silva Costa, de 35 anos, no bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande, foram realocados pela PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul).

Rafael morreu no último dia 21, quando estava sob efeito de drogas e em surto em supermercado. A suspeita é de que ele teve uma crise convulsiva. Câmeras de segurança registraram a abordagem e o momento em que Rafael foi derrubado violentamente na calçada.

Procurada pelo Jornal Midiamax, a PMMS informou, em nota, nesta segunda-feira (1º), que um procedimento de apuração foi instaurado, com apoio da Corregedoria. Também, os vídeos e registros foram juntados aos autos para a investigação.

A corporação afirmou ainda que os policiais envolvidos na abordagem foram realocados para outras funções, enquanto a unidade conduz a apuração. Por fim, a PMMS disse que não compactua com desvios de conduta e as atitudes incompatíveis serão analisadas com rigor.

A Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul reforça que não compactua com desvios de conduta. Eventuais excessos ou atitudes incompatíveis com nossos princípios e valores serão analisados com rigor, observando todos os protocolos legais e disciplinares.

Reafirmamos, ainda, nosso compromisso permanente com a proteção da sociedade sul-mato-grossense”, finaliza a nota.

O que diz o boletim de ocorrência?

Segundo o boletim de ocorrência, Rafael estava sob efeito de drogas, paranoico e em surto em um supermercado. A PM (Polícia Militar) foi acionada para o local e deu voz de prisão ao homem por desacato. Na tentativa de imobilizar a vítima, os militares utilizaram spray de pimenta e três disparos de arma de choque, além de derrubá-la no chão, momento em que ela teve convulsões.

Segundo o relato policial, os agentes utilizaram Arma Eletroeletrônica de Incapacitação Neuromuscular, modelo Taser X2 nº 2800KW56. Eles teriam disparado três vezes contra a vítima, sendo duas na região do peito.

Jornal Midiamax apurou que policiais militares de Campo Grande ainda tentam remontar como se deu a ocorrência e a morte de Rafael, mas afirmam que a arma de choque não é capaz de matar. Segundo militar ouvido pela reportagem e envolvido no caso, a voltagem da arma é alta, mas a amperagem é baixa. Ou seja, a arma seria letal apenas em situações muito específicas, principalmente se a pessoa tiver comorbidades.

Família pede explicações

No último dia 22, a família de Rafael disse que registrou boletim de ocorrência e pediu uma investigação sobre a morte da vítima. “Segundo o relato dos vizinhos, ele foi muito agredido. Quando colocaram ele na viatura, o pé dele ficou para fora. Eles ficaram forçando, batendo a porta do porta-malas com o pé dele para fora”, disse o irmão da vítima, Tiago da Silva Costa, servidor público, de 33 anos.

À reportagem, o irmão afirmou que Rafael era saudável, mas aguardam resultado de exame necroscópico para ter mais informações sobre a causa da morte. “A médica disse que não tinha como determinar ali [na UPA]. Ela disse que provavelmente foi parada cardíaca pelo uso de substâncias e pelos choques que deram nele. Isso pode ter agravado”, explicou.

Atendimento e morte na UPA

Rafael foi levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Nova Bahia. Segundo boletim de ocorrência, ele sofreu paradas cardíacas no local e tentaram reanimá-lo, mas a vítima morreu. À família, médicos relataram como Rafael estava ao chegar na UPA. “Ele chegou já todo roxo, sem batimentos cardíacos. Quando fui ver meu irmão, ele estava todo intubado, com muitas escoriações, todo roxo no olho”, relata Tiago da Silva Costa.

Segundo o irmão da vítima, médica que atendeu Rafael na UPA teria dito que os ferimentos na face são compatíveis com socos. Tiago da Silva Costa registrou a versão da família em boletim de ocorrência na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro. “A gente vai a fundo. Queremos esclarecer o que aconteceu com o meu irmão de fato. Queremos apoio do Estado e vamos na Corregedoria”, diz o irmão.

Os familiares acreditam que Rafael pode ter morrido por consequência da atitude dos policiais. “Disso eu não tenho dúvida nenhuma: ele foi super agredido mesmo”, diz Tiago. A polícia registrou o caso como morte decorrente de intervenção legal de agente do Estado.

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