Polícia

MPMS se cala sobre acordo que livra Patrola de ação por danos com rodovia ‘despedaçada’

Agora News MS

9:48 08/07/2025

Denunciado por corrupção, Patrola é alvo de vários inquéritos por causar danos ambientais em MS

Acordo com MPMS pode livrar Patrola de ação na Justiça. (Arquivo, Jornal Midiamax)

Denunciado por corrupção e investigado em diversos inquéritos por causar danos ambientais, o empreiteiro e pecuarista André Luiz dos Santos, o Patrola, pode mais uma vez se beneficiar por acordo com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Em março deste ano, o Jornal Midiamax mostrou que Patrola teve R$ 57.341,70 bloqueados de contas bancárias por não cumprir acordo — também proposto pelo próprio MPMS — e sofrer ação de execução por causar danos ambientais na Fazenda Flamboyant, em Campo Grande.

Apesar disso, o MPMS insiste em fazer um TAC com o empreiteiro (e pecuarista, como ele se autodenomina). Desta vez, para evitar judicializar mais um flagra de dano ambiental em uma das muitas propriedades de Patrola.

A reportagem questionou, oficialmente, o MPMS sobre a justificativa para insistir num acordo com Patrola, que já descumpriu outro TAC recentemente, além de ser alvo em outros procedimentos por danos ambientais. O contato foi feito através dos e-mails da assessoria de comunicação, PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça), Corregedoria e ouvidoria do órgão. No entanto, não houve resposta até esta publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

Jornal Midiamax também entrou em contato com o advogado que representa o empreiteiro, Fábio Melo Ferraz, mas não obtivemos resposta.

Leia também – Rota do Patrola: empreiteiro comprou fazendas perto de rodovia que construiu para Agesul

TAC alivia Patrola por causar R$ 955 mil em danos ambientais

Erosões estão presentes em vários pontos da MS-228, em trechos executados pela empreiteira de Patrola. (Reprodução)

No meio do Pantanal, uma rodovia despedaçada, construída sem licença ambiental, que está ‘esfarelando’. Tudo isso consta em inquérito tocado pelo MPMS sobre a MS-228, em Corumbá.

Porém, nem isso bastou para que o MPMS levasse o caso para a Justiça, onde Patrola poderia até mesmo ser condenado à pena de reclusão por crime ambiental.

Em vez disso, o órgão, que tem como chefe o PGJ, Romão Júnior, preferiu seguir, mais uma vez, o caminho do acordo — sem ter a certeza de que, dessa vez, será cumprido.

Conforme apurado pela reportagem, a ordem no MPMS é evitar ao máximo a judicialização de casos. E, seguindo esse linha, o PGJ instituiu, desde o começo do ano, um novo setor no MPMS: o Compor.

MPMS tem histórico de acordos com Patrola

No início da semana passada, o Jornal Midiamax mostrou que o MPMS livrou Patrola de ação por desmatamento em uma fazenda em Coxim, mediante pagamento de ‘multa’ de R$ 2 mil.

No ano passado, o MPMS já havia livrado o empreiteiro de responder judicialmente pelo desmatamento de 285 hectares de vegetação nativa, daquela vez em outra fazenda, no Pantanal. Inclusive, o Jornal Midiamax já revelou a ‘Rota do Patrola’, uma série de propriedades do empreiteiro na região, às margens de rodovia que ele ganhou licitação para abrir, como a própria MS-228, por exemplo.

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