Após receber R$ 7 milhões, Fiems organizou evento com ministro e empresários em resort de Bonito
9:45 05/06/2026

Evento luxuoso reuniu empresários e executivos com recursos do Prodesenvolve, da Semadesc
Gabriel Maymone-08/06/2026 – 07:06Ouvir Notícia
Com recursos do Prodesenvolve, Fiems de Longen fez evento para empresários em Bonito (Fiems, Divulgação)
Um mês após ‘cair na conta’ o valor de R$ 7 milhões do programa Prodesenvolve, em convênio articulado por Jaime Verruck (Republicanos), a Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) promoveu evento em resort de Bonito – a 296 km de Campo Grande –
Chamado de Fórum Empresarial MS Summit Bonito, o evento contou com a presença do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, que cobra em torno de R$ 50 mil por hora, segundo levantamento do jornal O Estado de São Paulo.
O ex-diretor da Fiems e pré-candidato a deputado federal, Jaime Verruck, esteve presente no evento realizado com recursos que ele mesmo liberou enquanto chefiava a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). Verruck atuou como braço direito de Sérgio Longen no sistema S, atuando como diretor corporativo.
O evento foi realizado em um luxuoso espaço, com 308 metros quadrados e auditório com capacidade para 300 pessoas.
Além disso, a Fiems convidou a CNI (Confederação Nacional da Indústria) para realizar uma reunião de diretoria. Houve ainda palestra do diplomata e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos Brics, Marcos Troyjo.
A reportagem questiona desde quarta-feira (3) a Fiems para esclarecer os gastos provenientes do Programa Prodesenvolve, mas não obtivemos retorno.
Responsável pelo convênio, a Semadesc enviou nota, por meio da assessoria do governo do Estado, afirmando que a Fiems presta contas sobre os valores gastos com o convênio, mas não revelou detalhes. Veja a nota na íntegra: “Convênio em questão cumpre todos os requisitos previstos em lei e descritos no Plano de Trabalho. A prestação de contas segue estritamente o rito determinado pelos órgãos de controle, com total observância dos princípios da transparência e legalidade, com objetivo de promover as potencialidades de Mato Grosso do Sul a investidores e atrair capital privado para o fortalecimento do desenvolvimento do estado, montante que apenas nos últimos anos no setor industrial ultrapassou R$ 80 bilhões em investimentos, e a geração de milhares de empregos, tornando MS destaque nacional na criação de oportunidades e renda, bem como nos números de empregos gerados e mobilidade social.“
O gabinete do ministro André Mendonça não respondeu sobre os custos de hospedagem e passagem bancados pela Fiems, mas negou que o ministro tenha cobrado para palestrar: “O Ministro André Mendonça não recebeu remuneração pela participação no evento“, limitou-se a dizer em nota.
A CNI também foi procurada para esclarecer sobre os custos do evento, mas também não emitiu posicionamento até esta publicação.
O espaço segue aberto para manifestações.

Convênio de R$ 7 milhões
O convênio de R$ 7 milhões liberados pela Semadesc faz parte do programa Prodesenvolve e dá autonomia para a Fiems contratar fornecedores e realizar “ações organizadas de promoção econômica” do Estado.
O recurso foi empenhado no dia 6 de abril, mas a publicação com assinatura de Verruck e Longen ocorreu no dia 10 de abril. Depois, dia 13, novo diário oficial republicou o convênio, substituindo a assinatura de Verruck – exonerado dia 1º de abril para disputar as eleições – pelo seu substituto, Artur Falcette.
A liberação integral dos R$ 7 milhões ocorreu de uma só vez, no dia 29 de abril, e foi criticada na Alems pelo deputado João Henrique Catan (Novo).
“Em menos de 19 dias, empenhou, liquidou, faturou e pagou para Fiems e mentiram para vossas excelências. O que está acontecendo?”, exclamou.
Ao falar sobre a agilidade da Semadesc em repassar o dinheiro público para a Fiems, Catan chamou o convênio de ‘remendo da Fiems’: “É mais do que uma emenda, é um remendo da Fiems. Não é estranho empenhar o valor no dia 6 e no dia 19 pagar? Isso só aumenta a suspeita de que há algo de errado”, concluiu.

Pesquisa eleitoral
Conforme os dados oficiais, a Fiems recebeu R$ 7 milhões, de forma integral, no dia 29 de abril. Menos de um mês depois, em 24 de maio, a Fiems contratou um instituto de pesquisa, pelo valor de R$ 76 mil, para realizar pesquisa eleitoral para governador e senador.
Antes disso, na sessão do dia 23 de abril em que deputados analisaram requerimento que cobrava explicações da Semadesc sobre o convênio, o autor do pedido, deputado Pedro Kemp (PT), estranhou a rejeição do requerimento: “Só reforça a suspeita que temos de que esse convênio pode ter outras finalidades. Me acho no direito de fazer suspeitas em cima desse contrato. É dinheiro para campanha eleitoral? Se não, então aprovem meu requerimento”, exclamou.
O próprio Catan já havia levantado a suspeita no plenário após a mobilização de governistas contra o requerimento: “Vai ser contratada uma empresa terceirizada — está no requerimento do senhor, por isso não vai ser aprovado hoje — que vai pegar R$ 7 milhões, vai pôr no bolso e vai passar para a campanha de alguém”, afirmou na ocasião.
A Fiems também não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre suposto uso de dinheiro público para contratar pesquisa eleitoral.








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