Justiça nega pedido para reconstituir assassinato de Mazzini, morto a tiros por Bernal
9:52 03/06/2026

Bernal afirmou em depoimento que agiu em legítima defesa, pois Mazzini avançou contra ele
Fábio Oruê-03/06/2026 – 06:46Ouvir Notícia
Vídeo do momento do crime cometido por Bernal (Reprodução)
O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, negou pedido do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para reconstituir o assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, em março deste ano, pelo ex-prefeito Alcides Bernal.
A acusação pediu a simulação para materializar a movimentação de Mazzini e o trajeto do tiro disparado por Bernal. Isso porque parte da dinâmica do crime aconteceu em um ponto cego, onde as câmeras de segurança do imóvel não alcançam.
Com a simulação, a promotoria pediu a elaboração de um laudo pericial de exame em local de morte violenta complementar em 3D. Entretanto, o período da fase de instrução probatória se encerrou com o depoimento do ex-prefeito, no último dia 27 de maio.
Inclusive, o juiz havia aberto até o prazo para as alegações finais — etapa seguinte após a produção de provas. O pedido surgiu a partir da oitiva de Bernal, que alegou em depoimento que a vítima havia avançado para cima dele e que agiu em legítima defesa.
O MP queria esclarecer, por meio da perícia, as posições do autor e da vítima, assim como a distância entre eles, a trajetória dos disparos e as lesões. Entretanto, Garcete entendeu que a produção da prova não era necessária e que não há tempo para seguir o rito jurídico caso acatasse o pedido.
Confira a movimentação captada pelas câmeras:
Reta final
Após as audiências e mais de 10 testemunhas ouvidas sobre o caso da morte do fiscal tributário Roberto Mazzini, a ação contra o ex-prefeito Alcides Bernal entrou em fase final, com o início das alegações finais.
O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, abriu o prazo para a Promotoria apresentar os pareceres finais. Após a juntada, é a vez da assistência de acusação, que inclui os familiares de Mazzini.
Antes das oitivas na última semana, Garcete havia autorizado a família da vítima a atuar no caso. A defesa da família Mazzini havia pedido a habilitação da esposa e dos filhos de Roberto como assistentes de acusação, em meados de abril. Entretanto, a autorização só aconteceu em despacho no dia 22 de maio, às vésperas da audiência.
Por fim, quem deve enviar as alegações finais é a defesa de Bernal. No último dia 26 de maio, o juiz ouviu as testemunhas de acusação. Entre elas, estão o filho da vítima, Gabriel Mazzini — que deu um depoimento emotivo à Justiça; o chaveiro, que é uma testemunha-chave; os funcionários da empresa de segurança contratada por Bernal; e policiais.
No dia seguinte, além do réu, foram ouvidos dois vizinhos, o piscineiro de Bernal, uma ex-servidora comissionada da Prefeitura e dois ex-secretários da sua gestão. Além deles, um delegado amigo do autor prestou depoimento.
Ex-prefeito é denunciado por homicídio
A 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande denunciou o ex-prefeito Alcides Bernal pelo homicídio qualificado do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini e porte ilegal de arma de fogo. O político e advogado está preso desde a data do crime, 24 de março de 2026.
Na denúncia, os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia ressaltam que Mazzini, de 60 anos, havia adquirido a casa de Bernal, no Jardim dos Estados, em um leilão da Caixa Econômica Federal, e foi ao local tomar posse do imóvel, junto de um chaveiro.
“O crime foi cometido por motivo torpe, visto que o denunciado agiu impelido pelo sentimento de vingança, mais precisamente porque não aceitava a perda do imóvel para a vítima e ainda acreditava ter direito sobre ele. Assim, decidiu ceifar-lhe a vida. Dada a repugnância da motivação do crime, caracterizada esta a qualificadora”, escreveram os membros do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).
Assim, o político foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa, contra a vítima maior de 60 anos; e também por porte ilegal de arma de fogo.
Dias depois, o MP complementou a denúncia e pediu à Justiça a inclusão de mais um agravante ao assassinato, de meio cruel, e pelo crime de violação de domicílio.
“O homicídio é qualificado porque cometido com emprego de meio cruel, pois o denunciado, em atitude perversa, realizou um primeiro disparo em desfavor da vítima, atingindo-a, e, após incapacitada, efetuou o segundo à curta distância, quando a vítima estava caída. Continuamente, evadiu-se do local sem prestar socorro ao ofendido, revelando total insensibilidade”, pontuaram Lívia e José Arturo.
Bernal preso por assassinato
O crime aconteceu em uma casa que pertenceu a Bernal, mas foi arrematada em um leilão por Mazzini, no ano passado. Na tarde de 24 de março, Roberto foi até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi alvejado por ao menos dois tiros, que atingiram a região da costela, transfixando, e a dorsal da vítima.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h; eles realizaram, por cerca de 25 minutos, manobras de reanimação, mas o servidor não resistiu e morreu.
Após o crime, o ex-prefeito se entregou na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro. Já o chaveiro, que presenciou o assassinato, foi encaminhado para o Cepol (Centro Integrado de Polícia Especializada).








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