Na fase final, intervenção fará sabatina com Consórcio Guaicurus em audiência pública
10:22 28/05/2026

Esta é a última etapa antes de a comissão elaborar relatório final para entregar à prefeita Adriane Lopes (PP)
Gabriel Maymone-28/05/2026 – 07:10Ouvir Notícia
Ônibus utilizados no transporte público de Campo Grande. (Arquivo, Midiamax)
A comissão que avalia possível intervenção no Consórcio Guaicurus marcou para o dia 2 de junho audiência pública para ouvir entidades e a população em geral sobre o processo.
A sessão é uma das últimas etapas do processo. Depois disso, a comissão especial chefiada pela procuradora-geral do município, Cecília Saad Cruz Riskallah, irá elaborar o relatório final, que será entregue até o dia 8 de junho para a prefeita Adriane Lopes (PP), que tomará uma decisão.
A audiência será realizada no dia 2 de junho, às 15h, no Teatro José Octávio Guizzo, conhecido como Teatro do Paço, na Avenida Afonso Pena, 3.297.
Até essa data, qualquer cidadão poderá enviar manifestação escrita para o e-mail procurador@pgm.campogrande.ms.gov.br ou presencialmente, na Prefeitura.
Também irão participar da audiência representantes da OAB-MS, do sindicato dos motoristas, TCE-MS, MPMS, Defensoria, Câmara Municipal, Procon, CDL, MPT-MS, Fiems, Fecomércio, Federação dos Trabalhadores no Comércio e o próprio Consórcio Guaicurus.
Na ocasião, a comissão irá apresentar à sociedade os elementos técnicos levantados no procedimento da intervenção. Qualquer cidadão poderá participar.

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Consórcio Guaicurus não tem condições de continuar no serviço, diz relatório
Conforme já adiantado pelo Jornal Midiamax, o relatório elaborado pela comissão que conduz o processo de intervenção do Consórcio Guaicurus apontou uma série de falhas na prestação do serviço da concessionária e sugeriu medidas administrativas ao Executivo, que pode decretar a intervenção.
O documento técnico desmonta a tese dos empresários do ônibus e conclui que “não se mostra tecnicamente viável, no atual cenário, a adoção de medidas isoladas ou pontuais de reequilíbrio econômico-financeiro”. Ou seja, é uma situação que não será resolvida com um simples reajuste de tarifa ou mais subsídios ao Consórcio.
A conclusão é que a situação é caótica e exige medidas por parte do município: “O cenário apresentado evidencia a existência de fatores que, em conjunto, comprometem a adequada execução contratual, cabendo ao poder concedente avaliar as medidas administrativas cabíveis”.
O relatório escancara a situação precária do serviço de transporte coletivo de Campo Grande, operado pelo Consórcio Guaicurus. “Os problemas não são pontuais, mas sim recorrentes ao longo do tempo.”

Empresários do ônibus tentam barganhar
Como medida para evitar possível intervenção, o Consórcio Guaicurus apresentou defesa dentro do processo administrativo da Prefeitura, dizendo que consegue colocar, em 15 dias, 100 novos ônibus nas ruas.
O número é praticamente metade do exigido pelo município desde janeiro para tirar de circulação os veículos que não têm mais condições de rodar.
No entanto, a Agereg — agência que fiscaliza o contrato — já ressaltou que a substituição dos ônibus velhos é obrigação contratual que vem sendo descumprida há anos pelo conglomerado.
Enquanto tenta ‘barganhar’ 100 novos ônibus com a Prefeitura de Campo Grande para evitar uma possível intervenção, o Consórcio Guaicurus sequer substituiu 197 veículos sucateados exigidos pelo município em janeiro deste ano.
Mesmo sem cumprir a determinação de meses atrás, os empresários do ônibus dizem, agora, que conseguem substituir apenas 100 desses veículos velhos em 15 dias, desde que a Prefeitura promova novos aumentos na tarifa e aumente repasses de dinheiro público.
Detentor de contrato bilionário de concessão, o Consórcio Guaicurus possui 460 ônibus na sua frota, sendo que 197 estão com idade acima do limite estipulado no contrato. No começo do contrato, em 2012, eram 574 veículos.
‘De olho’ em R$ 45 milhões a mais
Em processo que tramita na Justiça, o Consórcio Guaicurus move time de advogados para defender reajuste da tarifa técnica, que é um valor a mais arcado pela Prefeitura para cada bilhete pago por passageiro. Enquanto o cidadão paga R$ 4,95, o município paga a diferença até o valor de R$ 6,57.
Essa diferença rendeu R$ 32.207.738,43 no ano passado ao Consórcio Guaicurus.
Porém, os empresários do ônibus brigam na Justiça por uma tarifa técnica de R$ 7,79, que colocaria cerca de R$ 45 milhões a mais por ano nos cofres do Consórcio Guaicurus.








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